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Testemunho: Catarina Maia, autora do blog O Meu Útero

Tinha 23 anos quando ouvi falar em ovários poliquísticos pela primeira vez. Estava sentada no consultório do ginecologista com a minha mãe, ambas preocupadas porque não menstruava há oito meses.

 

Ia sempre sozinha ao ginecologista, mas desta vez era diferente. Tinha medo. Sempre fui irregular, mas sabia que algo de anormal se passava.

 

O médico mandou-me fazer uma ecografia endovaginal. Nunca tinha feito porque nunca se achou existir necessidade para isso. Mas, pensando bem, até havia.

 

Menstruei pela primeira vez perto de completar 12 anos e sempre tive períodos muito irregulares. Diziam-me que era normal, porque na adolescência pode acontecer. Mas isso nunca mudou. Menstruava a cada 30, 40, 50, 60 dias. Não havia uma regra. “OK, sou assim e pronto”, pensava eu. Visto que, apesar de não saber, também tinha endometriose, as menstruações eram muito dolorosas. Pelo que achava que ter menos menstruações até nem era tão mau assim.

Testemunho sop

 

Por causa das dores, da irregularidade do ciclo e de estar numa relação heterossexual estável, comecei a tomar a pílula. Só mais tarde descobri que, ao contrário do que nos fazem crer, a toma da pílula não nos regula o período. O sangue que verificamos quando fazemos a pausa, não é menstruação. Logo, achar que o período está regular é um erro.

 

Deixei de tomar a pílula quando fui estudar um semestre para fora. Durante todo o tempo em que estive fora, não menstruei.

 

Nos primeiros 3 meses, fiz a minha pesquisa e nada me ajudou. É normal que o ciclo demore a regularizar-se quando deixamos a pílula, mas lá no fundo eu sabia que não era apenas isso.

 

Quando finalmente fiz a ecografia, não houve margem para dúvidas. Os ovários estavam cheios de folículos aumentados. E, mais uma vez, a única forma de solucionar isto foi tomar a pílula. Fi-lo por mais um ano, reticente. Eu não queria tomar a pílula, muito menos obrigada.

 

testemunho doctor

Finalmente, descobri através do meu osteopata que poderia amenizar os ovários poliquísticos através de alimentação, suplementação e exercício físico. Esta novidade mudou a minha vida. Comecei a ler muito a propósito e a aplicar aquilo que ia aprendendo e, com isto, consegui tornar os ciclos mais regulares e também menos dolorosos.

 

Entristece-me saber que muita gente que sofre com menstruações muito irregulares, ou com ausências prolongadas de período, e que desconhece o que são ovários poliquísticos (ou a síndrome muitas vezes associada). Entristece-me também que, normalmente, a única solução proposta seja a toma de hormonas sintéticas. Sim, é uma opção. Mas há mais alternativas e cada pessoa deveria ter a liberdade de escolher o que é melhor para si.

 

Por causa destas questões que mexeram muito comigo, comecei o blog O Meu Útero para partilha de informação e experiências. Sinto que, aos poucos, a mentalidade vai mudando.

 

Eu não me arrependo da minha decisão de ter deixado a pílula. Por enquanto, é o que faz sentido para mim. Creio que é muito necessário falar-se mais abertamente sobre estes temas. Sem medos, nem vergonhas. A saúde menstrual é um tema que nos diz respeito a nós, em primeiro lugar.

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